segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ponto de Vista de Filha

Recebi uma visita de meu velho e querido pai. Estava em meu local de trabalho e, como no período obstinado de nossas vidas em progredirmos profissionalmente, suas visitas, por mais alegres que sejam, são, por vezes motivos de preocupação.Parece ingrato falar sobre isso, mas não me importo com o julgamento alheio. Deixo essa tarefa para Deus: esse sim parece o mais sensato nesse tipo de ação.
Acontece que dispenso hipocrisias e, casualmente, havia um texto exposto no mural do local onde trabalho (e desenvolvo função de chefia) e que falava sobre a atitude dos filhos em relação aos pais. Era um texto que trazia a reflexão em relação a postura dos filhos com os pais, quando aqueles, já crescidos, começam a contestar ou criticar as atitudes dos pais. Nesse texto, havia uma mensagem dolorosa sobre o sentimento dos pais frente às atitudes dos filhos.Algo sobre idealizarmos em suas figuras nossas referências maiores durante a infância. São nossos heróis, nossos espelhos. Na medida em que crescemos e adquirimos nossos próprios conhecimentos, começamos a questionar os princípios e valores de nossos pais. Percebemos que já não são tão detentores de todo conhecimento e, por vezes, suas atitudes geram um certo constrangimento diante das pessoas. Ora, há de se levar em conta que o contexto vivenciado já pertence a outra geração, mas sem desmerecer o conhecimento e experiência de nossos genitores. Porém, o processo de envelhecimento chega para todos e, com ele, alguns desgastes não percebidos pelos idosos. Nosso desconforto não advém do fato de sentirmos vergonha de nossos velhos pais, mas do fato de vê-los expostos ao ridículo diante do olhar alheio. Sim, parece contraditório iniciar um texto dizendo que a opinião dos outros não me afeta e colocar que esse tipo de situação me inibe. Explico: faça o que quiser a mim, eu mesma me defendo dos ataques, mas não faça aos meus! Parta sempre do princípio que se dói em você uma pedra lançada aos seus, em mim o efeito não é diferente. Defendo e protejo os meus com unhas e dentes!O fator maior que me leva a escrever essa crônica está relacionado ao curioso fato de que todos os textos que já me chegaram às mãos fala dos sentimentos dos pais em relação aos filhos, mas nunca o contrário: a visão dos filhos em relação aos pais. Ignorância minha ou falta de informação, decidi dar minha opinião. Minha e só minha. Pode ser que alguém compactue dessa mesma opinião, mas o fato é que me responsabilizo pelo que digo ou escrevo. Falta de tato ou excesso de sinceridade, dêem o nome que quiser, mas essa é a minha opinião. Mas meu desabafo é direcionado para nossos pais... É doloroso aceitar que o processo natural da vida aproxime-os do fim. Missão cumprida. Difícil assimilar que ainda não chegamos nessa fase, e nossa insipiência em relação a essa etapa da vida, nos desprovêm de informações sobre como nos sentiremos quando atingirmos esse mesmo ápice. E, por falta de comunicação explícita e aberta, instaura-se o nefasto sentimento que distancia os filhos dos pais.
Nunca, em momento algum, subestimarei o conhecimento e experiência de quem me trouxe o mundo. Sou uma filha grata aos meus pais por toda educação, carinho e amor que me proporcionaram ao longo de minha vida. Já não tenho mais mãe, mas o pai é ainda minha fortaleza e amparo em momentos difíceis, e é a ele que sempre recorro quando, já adulta, preciso de "colo" ou de um conselho honesto. Mesmo que às vezes discorde de seu pensamento ou conduta. Mas sei que jamais experimentarei em toda a minha existência um sentimento similar ao seu: amor sincero, puro e despretencioso de qualquer intenção, que consiste em renunciar ao seu próprio bem estar para garantir o meu. E não há palavras ou gestos que retribuam tamanha consideração.(Tenho certeza de que só compreenderei a dimensão de seu sentimento quando tiver meus próprios filhos e, então, comprovarei a tese de que "ser mãe é padecer no paraíso"). É como a prova de choque: nossos pais nos alertam para os perigos de tomarmos uma descarga elétrica se colocarmos o dedo no interruptor ou tomada de luz (eles mesmos já provaram essa sensação). Enquanto não comprovarmos o que de fato é o dito choque, não sossegaremos até experimentar a mesma sensação.Só rogo a Deus para que nunca seja tarde demais para poder expressar todo o meu afeto e gratidão por seus sacrifícios.
Mais do que uma reflexão acerca do olhar de uma filha sobre os pais, considero este um desabafo bem particular.O fato é que eles sempre estarão muitos passos a nossa frente.Não há graduação, pós ou mestrado que nos permita entender seus sentimentos. Isso a escola ou faculdade não ensina. E como não poderia deixar passar em branco, aproveito a ocasião para renovar meus sentimentos ao meu pai, meu ídolo e meu herói através deste espaço. Pai, eu te amo! Isso é para todos saberem!

Bem-vindo(a) ao mundo adulto!!!

Eis que atingimos a maioridade!! Uhuuu!!! Agora sim, podemos chegar tarde em casa (ops, já moramos sozinhos!), deixar o quarto bagunçado (humm...não tem mais ninguém além de mim para arrumar), lavar a louça quando quisermos (oh! de onde surgiram essas baratas??!!), dormir até mais tarde (ai, meu Deus, como pude me atrasar para o trabalho!), fazer altas festas (vou ser expulsa pelos condôminos) e partir em busca de meus ideais (onde estão meus fundamentos?), dizer o que bem quiser (cuidado com os processos, agora responde-se judicialmente!)e, o principal: gastar meu dinheiro do jeito que bem quiser (epa! como tiveram a audácia de cortar meu telefone por falta de pagamento?!)
Bons tempos de nossa infância e adolescência! Aquelas broncas, conselhos e ensinamentos não foram em vão... Tínhamos nossos pais para nos conduzir, resolver nossos problemas e pagar nossas contas! Os pais, realmente, são os únicos e verdadeiros amigos, aqueles em que realmente podemos confiar. Torcem por nossas conquistas e não pensam em articular para nos puxar o tapete! Onde se perdeu aquele idealismo juvenil, cadê, onde foi parar? Será que está escondido em alguma parte da enorme bagunça do quarto? Será que esmorecemos diante das dificuldades encontradas durante o caminho ou pior: será que a realidade está tão distante do que se esperava?
Crescemos... finalmente! Que vontade de dar um soco na cara de quem inventou essa estória de que a fase adulta nos reserva gratas surpresas e realizações! Faltou anexar um manual de sobrevivência no mundo adulto, essa selva de predadores! Bons ideais já não são suficientes! É preciso doutrinar-se, aprender com a infindável maldade humana e, sobretudo, desenvolver anticorpos para defesa de nossas próprias vidas...Por falar nisso, já tomou seu soro antiofídico hoje?
Que ilusão maldita é crescer! Hoje, os sonhos da adolescência estão mais para castelos de areia ou titanic: vemos nosso castelo ruir ou nosso navio naufragar diante das adversidades encontradas: em tudo o que fizemos, sempre devemos analisar o aspecto legal e moral. Ou como diria Léo Jaime: "Será que tudo o que eu faço é ilegal, é imoral ou engorda?!" Na medida em que evoluímos profissionalmente, evolui paralelamente o fato de nos tornarmos visados e despertar invejas e intrigas por parte daqueles que dariam um dedinho para estarem em nosso lugar. Como li algum dia em algum lugar: "Tá com inveja? Corre atrás, baby!" Parece antipático, mas pensando bem...
Um brinde ao mundo adulto! E com café, que é pra ficar bem esperto e não perder o rumo! E cuide-se: há sempre um neurótico que não tem mais nada de útil na vida do que tomar conta da sua! E digo mais: na arquibancada da vida, estão lá, de olho, fazendo figa para que você caia, resvale ou faça qualquer merda para se sentirem menos piores por não terem alcançado o lugar em que você chegou!! E trate de arrumar o seu quarto, poupar mais, estudar e trabalhar: acabou a folga das festas e de dormir até mais tarde!Você queria tanto... Então agora, aproveite!!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Imortal

O que é imortal?
Não, não me refiro à música de Celine Dion, tediosamente traduzida na versão dos irmãos Sandy e Júnior, mas especificamente referindo-me aos ídolos que se transformam em verdadeiros mitos e que se tornam imortais na medida em que despertam o interesse e curiosidade das pessoas.
Ouso referir-me aos ídolos como mito por se tratar, amparada na definição de Joseph Campbell - famoso estudioso norte-americano de mitologia e religião comparativa - para usar o determinado termo.Para ele, "a definição de mito está relacionada a necessidade que os seres humanos têm em comum. Segundo Campbell, eles são histórias da nossa vida, da nossa busca da verdade, da busca do sentido de estarmos vivos. Os mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, daquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. O mito é o relato, a experiência da vida. Eles ensinam que nós podemos voltar-nos para dentro". Dessa maneira (e para não fugir dessa reflexão que faço em relacionar os ídolos e o conceito de mito no mesmo contexto), relaciono as duas concepções para justificar (ou tentar entender) essa associação. A mistura de solidão,fundo musical emotivo, cerveja e cigarro funcionam como ingredientes ativos para tal tarefa, até mesmo capazes de ocasionar uma combustão de idéias presas no inconsciente e que eclodem conforme a necessidade de exteriorizá-las.
Impressionante que tenha se convencionado entre as pessoas que o conceito de mito - em relação ao objeto de divagação - esteja relacionado à mentes que produziram efeito impactante sobre determinados grupos, quer seja por "osmose", quer seja pelo despertar de opiniões adormecidas (empaticamente falando). O mais incrível é que, ao relacionar determinados ídolos de gerações, percebo que muitos já se encontram 'in memoriam':Bob Marley, Martin Luther King,Che Guevara, Elis Regina, Renato Russo, Cazuza, Raul Seixas e, até mesmo, os irreverentes Mamonas Assassinas. Gente que não teve medo de se expor, de dizer o que pensava, dar o seu recado de uma maneira bem genuína. Ao seu modo. Infelizmente, muitos não foram exemplos primorosos a serem seguidos, por sua forma displicente ou até mesmo radical de ser, ao estilo marginalizado perante os valores impostos pela sociedade. Mesmo assim, seus nomes permanecem imortalizados e sua influência se faz tão notória que sobrevivem até os dias de hoje. O que impressiona é que muitas dessas brilhantes mentes não sobreviveram por muito tempo entre nós. A dúvida que permanece é se, de fato, eram tão especiais que tinham prazo determinado para nos ensinarem algo que nos tornasse melhores em nossas essências, se não suportaram estar à frente de seu tempo ou se o desgosto em não revolucionar o pensamento humano fizeram-lhes desistir da vida e cair em profunda depressão, ocasionando assim, suas mortes prematuras. É claro que ainda existem bons nomes e mentes fenomenais entre nós, mas não se sabe se por resistência ou convencionalismos, tornam-se ícones só mesmo 'pós-mortis'. E deixam de ter seus valores reconhecidos, ainda em vida.
Por tudo isso acima descrito, concluo que imortalidade e mito são conceitos relativos e que todos os que são capazes de desafiar conceitos pré-estabelecidos pela maioria, fazem a diferença e tornam-se mitos, exemplos a serem seguidos e reconhecidos 'in vita' . E não me refiro a suas particularidades, mas às suas idéias para que saibamos entender o sentido de nossas próprias existências e tornar o mundo em que vivemos um lugar mais digno de se viver, desprovido de hipocrisias, medos e egoísmos... O fim se faz igual para todos e cabe a nós decidirmos que legado queremos deixar quando chegar nossa vez - mito? insignificância diante de tudo? Fique à vontade para escolher!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Fazendo um retrospecto de minha própria vida, a ela atribui muita luta e esforço por reconhecimento profissional. Como diz o já 'manjado' clichê: "Cansei de ser mais um rostinho bonito, quero ser reconhecida pelo talento". Na sociedade extremamente severa e, muitas vezes, injusta em seus critérios de seleção e por assim dizer, pré-julgamento, sabe-se que é extremamente difícil encontrar espaço para enfrentar a acirrada disputa por um lugar ao sol. Tudo isso resume-se a fazer a diferença.
O reconhecimento de nossas ações advêm do sucesso que eles alcançam pelo crivo de algumas pessoas que já obtiveram certa projeção. Muitas vezes, o orgulho e vaidade pessoais se sobrepoem ao talento de quem começa a trilhar um caminho e que acaba sofrendo um desgaste emocional e impactante diante daqueles que se julgam superiores. Mas sonhar ainda é possível. Independente da proporção do sonho. Como dizem por aí: "o sonho é longo e a realidade é curta". Mas enquanto possuirmos autonomia e direito de pensar, devemos nos render ao que almejamos e lutar para que passem do estágio de idealização para ação. Prática, pura e simplesmente concreta. Para isso, não se pode desistir diante dos primeiros obstáculos. Perseverança, persistência ou recebendo a nomenclatura que receber, precisamos lutar para que se tornem realidade.
Jesus disse ao paralítico: "- Tua fé te curou".A fé não move ou remove montanhas no sentido literal da palavra, mas a insistência de nosso pensamento e nossa força de vontade permitem que se concretizem nossos anseios e que possamos realizar nossos sonhos.
Compactuo com Maria Bethânia, no refrão: "É minha lei, é minha questão/mudar este mundo, cravar este chão". minha questão, meu sonho, meu desafio é tornar o espaço, o reduto onde vivo um lugar melhor de se viver...nem que prá isso, seja preciso vencer muitas guerras por um pouco de paz. Entendo que na vida há sempre prazos a se cumprir e oportunidades imperdíveis. É o que remete o consagrado dito popular: " cavalo encilhado não passa duas vezes". E não quero perder a condução, nem a capacidade de sonhar e realizar!

Bicho de 7 cabeças - 2

Termo que teve origem na mitologia grega, mais precisamente na história da Hidra de Lerna, o monstro de várias cabeças, a expressão designa desde algo muito difícil, perpassando pela máxima "fazer um bicho de 7 cabeças", que assume a acepção conotativa de exagero. Engraçado como não se pode deixar de relacionar com os textos bíblicos, que também fazem referência a tal figura, mas que causa temor e curiosidade. Particularmente, adoro a música postada anteriormente, que recebe o mesmo título, porém na versão instrumental. Também remete ao filme "Bicho de 7 cabeças", que trouxe o excelente ator Rodrigo Santoro na pele de Neto, um rapaz que é internado pelos pais por ter sido pego em flagrante com um baseado no bolso. Exagero ou complicado, tanto faz o significado que se possa atribuir à situação apresentada na sinopse do filme, mas vale dizer que toda vez em que não se sabe lidar com alguma situação, cria-se o referido monstro. Muitas vezes, criamos um verdadeiro monstro internamente..são situações de conflito com as quais, muitas vezes, não temos a hombridade de reconhecer que não sabemos tratar.Realmente não é fácil lidar com fatores surpresas e, caimos na impotência em não sabermos administrar determinadas circunstâncias ou agimos impulsivamente, arcando com conseqüências posteriores (ops, o trema já caiu em desuso!). O que importa é que não podemos julgar as atitudes alheias como um reflexo de nosso pensamento, sob pena de sermos ou interpretarmos atitudes errôneamente. Flexibilidade e empatia são, ao meu ver, palavras-chave. Mesmo assim, não se pode prever o que se passa na mente das pessoas, então é preciso um olhar atento e dogmático sobre a vida e a natureza das pessoas. Muitas vezes ouvi: "Sou assim e não vou mudar. É uma condição de minha personalidade". Prefiro pensar que o maior desafio e a mais nobre ação consiste em doutrinar-se, em lutar contra a própria natureza e, dessa forma, não criar ou até mesmo despertar o bicho de sete cabeças.

Bicho de 7 cabeças - 1

Bicho de Sete Cabeças Zeca Baleiro Composição: Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Renato Rocha Não dá pé Não tem pé, nem cabeça Não tem ninguém que mereça Não tem coração que esqueça Não tem jeito mesmo Não tem dó no peito Não tem nem talvez ter feito O que você me fez desapareça Cresça e desapareça... Não tem dó no peito Não tem jeito Não tem ninguém que mereça Não tem coração que esqueça Não tem pé, não tem cabeça Não dá pé, não é direito Não foi nada Eu não fiz nada disso E você fez Um Bicho de Sete Cabeças... Não dá pé Não tem pé, nem cabeça Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça) Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça) Não tem jeito mesmo Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito) Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso) O que você me fez desapareça (E você fez um) Cresça e desapareça... (Bicho de Sete Cabeças) Bicho de Sete Cabeças! Bicho de Sete Cabeças! Bicho de Sete Cabeças!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Exploração da Fé Humana

Hoje, ao acessar a internet e checar minha caixa de entrada de mensagens, deparei-me pela enésima vez com um daqueles e-mails encaminhados e não sabia se deletava ou reenviava aos meus contatos. Na dúvida, lembrei-me de algumas orientações recebidas em cursos e decidi deletá-lo, mas confesso, não antes de fazê-lo com um certo receio e até mesmo dose de culpa. Sim, aquela sensação de ter praticado um delito, uma falta descomunal!
Tratava-se de uma comovente mensagem que falava sobre uma bebezinha que necessitava de cuidados especiais, pois apresentava um quadro clínico considerado irreversível. O reenvio da mensagem representava um compromisso moral de prolongar-lhe a vida. Paralela a essa preocupação, lembrei-me do preocupante número de spams e vírus que são transmitidos através da rede por internautas descuidados no envio de e-mails. A "netiqueta" tem algumas regras, dentre elas usar o recurso Cco (cópia carbono oculta), pois há sempre alguém mal intencionado entre os contatos (a dita 'maçã podre', que contamina todas as outras). por essa razão, dei um "excluir" no e-mail a mim repassado e, não para me justificar, mas para fazê-los refletir, decidi expor publicamente o gesto que poderia passar imune.
Atualmente, o mundo parece confuso (tudo bem, não vamos atribuir os problemas ao cosmos ou ambiente em que vivemos: são as pessoas mesmo que parecem confusas). O que acontece é que, muitas vezes, a maldade humana não tem limites... Isso implica em uma descrença por parte do indivíduo. Basta pensar no número de igrejas que têm surgido ultimamente. Curioso como pensar que, em vez de evoluir, o ser humano regride, numa espécie de retorno aos tempos mais remotos. Explico: o discurso é o mesmo da idade média, mais precisamente ao nos remeter ao estilo de época trovadoresco, quando se pregava a teoria do Teocentrismo (Deus como o centro do Universo). Essa visão religiosa era uma maneira de manipular o pensamento humano, ao ponto de interferir no desenvolvimento humano em busca de sua ascensão, sob a alegação de que um dos desígnios de Deus era dividir a humanidade por classes, ou seja, a sociedade era dividida em uma pirâmide hierárquica, com a nobreza no topo, o clero no meio e o povo (ou servos) abaixo. Desse modo, quem havia nascido "fora da realeza", deveria curvar-se à vontade do onipotente e jamais ter a intenção de prosperar ou almejar enriquecer, pois seria severamente castigado pelas leis divinas. O que estava implícito nessa linha de pensamento era o próprio desejo de manter o controle das classes, monopolizando o ser humano diante dessa ameaça e mantendo-se no poder supremo. Não cabe aqui discutir religião ou filosofia, pois essa é uma característica de época constatada nos livros de literatura portuguesa e melhor explanada na História. O que busco desenvolver aqui é uma análise do comportamento humano diante do fator desconhecido: o medo do medo.
O medo ainda mantêm as pessoas sob controle. É a palavra de ordem. Diante de um comportamento considerado inadequado, fora do controle e dos padrões estabelecidos, há sempre uma ameaça que surte efeito diante do intrínseco temor que nos acomete. A simples iminência de perigo nos cerca de defesas que se traduzem em receio, apreensão em relação ao fator surpresa, que não nos dê chance de defesa e absolvição. Se não recebemos a desejável remissão de nossas culpas e pecados, quer seja pela sociedade, quer seja pela justiça, não escapamos do julgamento superior. Essa é a visão da Humanidade.
Deus é amor e amor não se paga. Podemos, sim, ajudar a nossos irmãos mais necessitados, contanto que nós mesmos não nos equiparemos na mesma situação inópia. Penso muito naqueles que pregam a palavra de Deus e que inflingindo castigos e usando o sagrado nome do Altíssimo, exploram através da crença, do medo e da benevolência dos mais humildes a sua própria subsistência e acumulam riquezas, ostentam palácios e freqüentam os melhores restaurantes e viagens ao exterior em nome do Pai. Tudo o que Ele não queria que acontecesse...que tomassem seu santo nome em vão... que os seres humanos, seus filhos, fizessem uso de seu sacrifício para levar vantagem a seu bel prazer... que os direitos individuais se sobrepusessem sobre os direitos coletivos...e que todos os pavores se alastrassem, desde a simples intenção de acolher alguém em casa, confiar nas pessoas ou até mesmo em repassar ou abrir um simples e-mail.