domingo, 4 de janeiro de 2009

Culto à Perfeição

Sempre fui avessa às perfeições. Não que deixasse de sonhar, no imaginário infantil, em dormir simples mortal e acordar no estilo boneca "Barbie": sim, perfeita na embalagem: rosto milimétricamente perfeito, cabelos longos, louros e sedosos e corpo escultural. Mas achava uma chatice parecer não ter conteúdo. Aliás, basta observar: vivemos em uma sociedade que valoriza muito mais o ter do que ser : vale mais ter dinheiro, status, beleza exterior. E quanto ao ser? É privilégio de poucos. Poucos que se importam com o conteúdo.
Isso acontece desde os tempos mais remotos. Sim, dependendo da Era, sempre existiram estereótipos: durante o renascimento foi o estilo mais rechonchudo que se aproximava do ideal de beleza (quem dera voltássemos nessa época!). Símbolo de beleza e saúde estavam vinculados à gordura, indicativo de fartura, formas generosamente arredondadas (basta analisar as obras de Da Vinci, Michelangelo e outros mestres da arte renascentista, no apogeu do sèculo XVI). Anos mais tarde, foi a vez da Twiggy, renomada top model britânica, no estilo anoréxica, a fazer sucesso na década de 60 como símbolo de beleza, contrapondo-se a estilos mais voluptosos (até porque paralelo ao tecido adiposo, surgem doenças oportunistas como obesidade mórbida, hipertensão e outros males). E, finalmente, o padrão de beleza dos tempos atuais: a torturante imagem da gaúcha Gisele Bündchen, com tudo no lugar. Claro que acharia maravilhoso retocar algumas imperfeições estéticas para me sentir melhor. Não porque os padrões de estética ditam, mas porque como toda mulher, sempre acho que podemos melhorar um pouquinho...mas acima da vaidade feminina sobre a própria estética, ainda prefiro buscar aperfeiçoamento através dos estudos e da formação continuada. Isso sim o tempo não destrói, não deteriora nem pede retoques, apesar de que sempre teremos o compromisso de buscar mais aprimoramentos para não pararmos no tempo.
Ainda sou fã da boneca Barbie. Claro que já deixei de brincar há muito tempo, mas ela tem encantado gerações e é incrível o fascínio que consegue exercer sobre nós do sexo feminino! Mesmo assim, Barbies na vida real não existem. Ao menos original de fábrica, "in natura". Admiro muito mais o conteúdo do que a forma. E como todos sabem, boneca é brinquedo. Não tem opinião.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Salto Alto

Amo salto alto! Refiro-me especificamente ao sentido literal da palavra, sobretudo aos scarpins, salto agulha. Acho que alongam nossa silhueta e são um toque a mais na produção, especialmente porque nos obrigam a manter o equilíbrio e permanecermos elegantes quando nos sustentamos sobre eles. No sentido conotativo, abomino quem sobe no salto para olhar os outros como seres inferiores. Torna-se ridículo. Não possui jogo de cintura para se sustentar e age como se fosse superior aos outros, quer seja por ocupação de cargo hierárquico, quer seja por possuir alguma especialização a mais em seu currículo. Isso não engrandece a essência das pessoas. Sem dúvidas, é uma conquista pessoal, mas não torna ninguém melhor ou pior.
O que nos torna superiores ou inferiores é a maneira como tratamos nossos semelhantes. Olhar com desdém a quem pouco se conhece, subestimar suas competências e habilidades. Isso me faz lembrar de um email que recebi certa vez sobre uma ilustre personalidade que figura entre as mais ricas, poderosas e inteligentes do mundo: William Henry Gates, mais conhecido como Bill Gates - Dono da Microsoft - a mais conhecida empresa de software do mundo. Atualmente, pode se dar ao luxo de anunciar sua aposentadoria e retirou-se definitivamente da Microsoft para se dedicar inteiramente aos seus projectos filantrópicos. O texto que li sobre Gates, relatava uma de suas palestras pelas universidades... verídico ou não, seu conteúdo era muito interessante e, dentre as várias passagens, uma em particular me chamou a atenção; segundo o texto, Bill teria dito: "Trate muito bem aquele seu colega 'nerd'. Futuramente, há uma grande chance de você vir a trabalhar para ele."
Isso me faz pensar sobre a opinião auto-descritiva, pois segundo sua biografia, ele mesmo era tratado por um rótulo assim, entretanto, deu a volta por cima e um 'tapa-de-luva-de-pelica' a quem subestimava sua capacidade. O que torna sua personalidade fascinante, é o fato de ele não se julgar acima do bem ou do mal - é um ser humano como outro qualquer, que não deixou a fama e a fortuna subirem para a cabeça, e manteve-se - como diria a equipe do Programa Pânico na TV - calçando as sandálias da humildade.
Apesar de amar o salto agulha dos scarpins, também sou adepta das chamadas "rasteirinhas". São confortáveis e nos deixam mais à vontade, sugerindo um visual mais despojado. Tudo depende da ocasião. No contexto figurado, vejo as rasteririnhas como as chamadas sandálias da humildade, embora o nome pareça irônico - passar a "rasteira" é coisa de gente incompetente e mau caráter. A vida, por si só já nos obriga a manter o equilíbrio sem scarpins, sandálias, rasteirinhas ou até mesmo chinelos havaianas. Não é o hábito que faz o monge, como também não é a titulação acadêmica ou o cargo hierárquico que avaliam nossas competências. A verdadeira habilidade está em saber se equilibrar na corda bamba dos desafios e sobreviver às articulações políticas. podemos perder ou ganhar - e devemos estar preparados para tudo - mas não podemos perder nossa dignidade. Nesses casos, o salto alto é altamente recomendável - Perca ou ganhe - mas mantenha-se equilibrado e altivo!

Castigo ou Oportunidade...

Nada na vida acontece por acaso... Acrescentaria aí: nada vem de graça, tudo o que acontece sempre vem acompanhado de uma boa dose de esforço, dedicação e vontade de vencer. Comigo, pelo menos, sempre foi assim: lutas, muitas lutas. Na maioria das vezes, sozinha. Estar só não significa necessariamente não possuir aliados, mas sim entender que há certas coisas que só mesmo quem sente na pele pode resolver. É o chamado peso da responsabilidade. O que muitos chamam de castigo, eu chamo de oportunidade. É incrível como sempre temos que provar o quanto somos capazes - a diferença está em "provar para quem". Prefiro provar a mim mesma. Nunca fui de subestimar a capacidade dos outros, então já não me surpreendo mais tanto com o fator inesperado. Nem mesmo em tudo o que faço. Um bom exemplo disso foi durante uma festa surpresa, que amigos queridos fizeram certa vez, em razão de meu aniversário. Lembro perfeitamente que uma pessoa muito próxima, de minhas relações, se aproximou e sussurrou ao ouvido: "-Você é blasée." Para quem não sabe, esse adjetivo tem várias conotações. Creio que a pessoa quis se referir a uma certa indiferença que pensou que partia de mim. Nada disso. Estava adorando a situação. Sentir-me rodeada de amigos, vê-los confraternizando felizes, envolvidos por minha causa, dispensando parte de seu tempo para dedicá-lo a mim... Isso não tem preço e nem cabem rótulos nestas situações. Muitas vezes, prefiro me colocar como mera expectadora das situações, inclusive em relação a mim mesma. Uma espécie de viagem ao próprio interior, meu universo pessoal. Dentre as várias acepções que a palavra "blasé" pode ter, a que mais se aproxima da minha realidade é a de ser uma pessoa tranquila em relação à opinião dos outros - observar sem me envolver ou mudar meu modo de ver as coisas. Certa vez, em conversa informal com uma amiga psicóloga, ela me disse, sem querer bancar a analista, mas com aquela permissidade que concedemos só a quem é muito amigo, que conhecia pessoas da mais diversas camadas sociais, dos 7 aos 70, e que em mim ela via claramente alguém que sabia quem era, ciente de minha identidade pessoal, com propósitos definidos na vida. Realmente, quando sabemos quem somos e o que queremos, a opinião alheia deixa de ser um peso. Isso não significa ser auto-suficiente ao ponto de julgar-se absoluto ou dono da verdade. Acima de tudo, significa ser de fato quem é, sem se deixar abater por opiniões depreciativas por parte de pessoas que preferem tomar conta da vida alheia em vez de se preocuparem com seu próprio crescimento. A vida é feita de escolhas, e podemos optar por nos tornarmos melhores e seguir em frente, ou parar no meio do caminho e nos frustrarmos quando as coisas acontecem mais rapidamente para alguns e tardiamente para outros. Eu, particularmente, comemoro as conquistas dos meus amigos como se elas fossem minhas. Adoro ver a prosperidade dos outros. Conseqüentemente, esses fatos nos movem a acompanhar o ritmo dos nossos afins, certos de que também somos capazes, dentro de nossas áreas de atuação. Jamais questiono a capacidade dos outros, uma vez que eles possam não ter as mesmas habilidades que possuo, mas possuem dons específicos, o que nos faz crescer juntos na medida em que amadurecemos. Acho maravilhoso poder ser útil, e muitas vezes abro mão do meu descanso ou de interesses pessoais em razão dos que me são caros e necessitam de algo que eu possa oferecer. Até porque, sempre soube ser grata a quem me estende a mão. Acho desprezível o tipo de atitude de tratar as pessoas como objetos descartáveis. Já vi um pouco de tudo na vida, e é claro que ainda tenho muitas novidades pelo caminho, mas confesso que já não me surpreendo tanto. É meu lado blasé gritando. Castigo ou oportunidade? Tudo depende do modo como se encara a vida. Meu otimismo leva a crer em oportunidades, e à elas me agarro e faço meu destino!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Inveja - A arma dos incompetentes

A Frase até parece tirada daquelas filosofias expostas em párachoques de caminhão, mas tem fundamento; a reflexão de hoje é sobre um sentimento feio e negativo, que só destrói a quem o alimenta: a inveja! Ui! "Pé-de-pato/bangalô/três vezes"! Enfim, o que me chama a atenção é o que está implícito por trás de um sentimento como esse: quem realmente se diz amigo sente inveja? A inveja traz algum benefício? A língua maldita de quem não é competente o suficiente para se estabelecer, influencia no pensamento dos outros? Em busca da compreensão dessa fraqueza humana, vêm as respostas, talvez não as que se espere, mas o mais próximo do que se pode sentir e entender: quem é amigo de verdade, não sente inveja, mas sim admiração pela conquista do outro. Amigo de verdade comemora as vitórias e se condolece com as derrotas. Amizade verdadeira torce pelo bem do outro! Quanto ao benefício? Duvido muito que a pessoa que segure a inveja dentre seus traços de personalidade se dê bem na vida: enquanto ela amaldiçoa o êxito do outro - provável alvo de seu desejo -(querer estar no seu lugar), ela fica para trás, tal como diz o dito popular: "Enquanto falam nas costas, é sinal de que se está à frente". Quanto às intrigas e comentários maledicentes: tudo um dia se volta contra quem faz uso de vil recurso. Sim, pois só mesmo quem não tenha personalidade suficientemente forte para formar opiniões é que se deixa induzir por comentários carregados de fel de quem não pode ver ninguém feliz. Lugar ao Sol? Todos têm o mesmo direito, embora alguns façam a diferença e outros busquem se beneficiar, esperando que os outros façam o trabalho pesado e deixem para que alguém, que se considera esperto, levem os louros. Triste caminho... Escolha errada! O pior é quando se deseja o bem de alguém que se considera amigo e, na verdade, dá uma facada pelas costas... Tudo se volta contra aqueles que buscam subir às custas da exposição vexatória de alguém que se elege como vítima... Vulgar, baixo, amargo é tentar puxar o tapete dos outros quando não se consegue o que é do outro! triste pretensão achar que é melhor do que os outros e deixar que interesses individuais se sobreponham aos interesses coletivos... Triste você dedicar amizade ou abdicar de seu tempo livre em prol dos outros e, na primeira oportunidade, perceber que seu esforço foi em vão, não valorizado e, acima de tudo, ironizado. Sejamos humanos e saibamos admitir as conquistas dos outros e lembrarmos de que se o telhado do vizinho é de vidro, o meu também é frágil. Onipotente, na minha opinião, só Deus. Ele sim, pode tudo! Busquemos valorizar nossas conquistas e torcer pelos outros, pois quando alimentamos sentimentos negativos dentro de nós, estamos na verdade nos envenenando e desejando que o outro morra. Transpõe-se um obstáculo do caminho, e logo adiante surge outro - o que se ganhou? Busquemos ser melhores naquilo que sabemos, fazer bem nossa parte e deixar que os outros também prosperem. Não usemos como munição inútil sentimentos levianos que em nada nos acrescentam. Filtremos o que de fato vale a pena e descartemos o que nada acrescenta para nosso crescimento aqui na Terra, pois enquanto desejarmos o mal dos outros, quem fica lá atrás somos nós... Sejamos maiores, superiores e competentes! Só assim, poderemos nos estabelecer!!!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Era uma vez...

Era uma vez um homem. E uma mulher. Entre eles: o destino.
Como qualquer conto de fadas, a expectativa é que se termine em "foram felizes para sempre". Já, conforme a realidade apresentada por Vinicius de Moraes em seu Soneto de Fidelidade, "Que não seja imortal, posto que é chama,Mas que seja infinito enquanto dure." O amor pode até ser um sentimento grandioso, mas não se sustenta se não for renovado todos os dias. É preciso bem mais do que imaginação ou poesia para sobreviver ao tempo e às dificuldades que se apresentam no caminho. Sim, o destino que aproxima, muitas vezes também afasta, tornando-se implacável. Como o Tempo. Serão eles os verdadeiros culpados quando o sentimento se extingue?
Era uma vez um homem. E uma mulher. Entre eles: o tempo.
Dizem que o tempo cura tudo e é responsável por cicatrizar as feridas. O amor também traz dores, que o diga Nazareth, em sua canção "Love Hurts" (O amor machuca). Só o tempo pode operar mudanças significativas, mas elas devem partir de dentro para fora, caso contrário, serão efêmeras e, nos bailes da vida, um dia as máscaras podem cair... Mudamos por amor? A quem? Ao próximo ou a si mesmo?!
Era uma vez um homem. E uma mulher. Entre eles: o amor.
Quem faz o seu próprio destino e se flexibiliza com o tempo, certamente é brindado com o sentimento mais sublime de que Deus, em sua infinita bondade, pôde dotar a humanidade: o AMOR. Quando conhecemos a dádiva do amor, tudo e nada fazem sentido para nós... nossos ouvidos até podem captar a música no ar (que música?), e ver através das aparências, aquilo que é invisível aos olhos... Quer um "foram felizes para sempre"? Faça valer a pena... Acredite, sonhe e ame... Muito!
Era uma vez um homem. E uma mulher: Entre eles: já não existe mais nada que possa separá-los, pois já superaram o medo do destino, a preocupação com o tempo e sobreviveram às tempestades do amor. Superaram e cresceram. E o que Deus uniu, ninguém mais separa. Foram felizes? Até hoje são...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Palavra Acesa - Quarteto Violado

Devaneios e ensaios filosofais

A vã filosofia
A veia bailarina
Aveia, grão nutritivo
O veio político
O véio do povo...
Brincar com palavras,
Criar neologismos,
Desmistificar os sentidos,
Ampliar seus significados
Preencher nossas mentes
Derramar informações

Pulsar como a veia, cujo sangue que corre, indica que há vida
Alimentar-se de grãos, como a aveia, que acelera o metabolismo
E se reflete em nossa saúde, interna e externamente,
O veio político, que faz com que se desperte para a realidade,
Articular, criar estratégias, com a sede de vencer
Fazer justiça
Olhar para os menos favorecidos
O “velho” que se convencionou ‘véio’ na boca do povo
A cultura curta da comunidade,
Com sentido coloquial, porém não menos importante que a linguagem culta
Que fala, fala, fala e não diz nada
E no nada, se diz tudo!
Vazio...
Perdido em algum lugar recôndito da alma...
Jaz perdido em algum lugar da mente...
Devaneios
Dizer tudo e nada ao mesmo tempo
Sensibilidade de quem escreve, inala, absorve e se alimenta de palavras!
Que não seja em vão
A vã filosofia
De nossos devaneios
Filosofais e existencias...